domingo, 6 de dezembro de 2009

solidão

Longe das magoas e dos pesares da vida, longe do mundo e longe do coração. A magoa dos que lá ficam, perde-se na imensidão da noite. Perdida nos rumos sem fim, a noite esquece tudo o que padece desse infinito rumo sem sentido que minha vida enlouquece!
Nos altos rumores de minha alma, há palavras que me surgem, direccionando toda a mágoa, para esse lugar que só eu sei que será capaz de suportar tal dor…dor que o tempo desfaz, mas que deixa para traz a semente do amor, para que essa possa ser novamente plantada…
Indigna a pouca confiança de meu ser, a enorme falsidade que me torna incapaz de amar de verdade. Sinto o peso em meus olhos da mentira, mas encontro-me sempre sem saída. Não sou capaz de escutar meu coração, e seguir minha vida sobre sua alçada. Sou incapaz de correr para ver um sorriso e desejar concretiza-lo. Incapaz de segurar um rosto em minhas mãos descontente, ensopado do desgosto das lágrimas.
Os arrepios invadem-me sempre que penso naquilo que sou. No mísero ser humano incapaz de escutar seu próprio coração. Seria tão bom se esta vida não fosse de escolhas, escolhas essas que nos fazem errar e tropeçar, e cair no caminho sem rumo da amargura, que nos leva a um lugar obscuro e insentimental. Lugar esse onde estou, e meu coração se recusa a sair dai….
A chuva envolve todo o meu sentimento. Seria fácil se o meu estado de espírito reagisse tal como o céu. Após as longas e penosas lágrimas das nuvens, um rebento de sol ilumina e seca toda a inundação causada.
Sinto meu coração desejoso por esse raio de sol, por mais fraco que seja, por pouco que me ilumine, para me aconchegar no seu pequeno calor, e me sentir protegida de todas estas magoas que me elevam à triste solidão, ao triste repudio e isolamento, de quem comete o pior dos crimes.
Sinto a necessidade se ser perdoada, de ser amada… sinto como se a vida roubasse de mim tudo aquilo que ela sabe que me levaria para um lugar mais feliz. Onde cruzar os caminhos não significasse apenas ter mais uma escolha errada a fazer, mais um degrau onde tropeçar, mais uma mancha negra para me repudiar, mais uma nuvem escura, desejosa que me junte a ela, para mais uma vez desabar.
Sinto a vontade de voar com o vento, ser livre sem ter medo de voltar a fazer a escolha errada…

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